"O Bonsai é um breve pensamento poético que nos toca o coração.”

O bonsai é uma arte de possibilidades ilimitadas.

20 outubro 2011

Métodos de Poda.- A Desfolha.




Métodos de Poda.


Desfolha.


Para os iniciantes saber que uma árvore aparentemente linda e saudável será aligeirada de sua bela folhagem pode parecer irreal, mas a desfolha – retirada das folhas de uma árvore – é uma técnica comumente usada por bonsaístas experientes. Apesar de ser aparentemente simples aplicar essa técnica ela exige alguns cuidados, talvez por isso os que se iniciam nesta arte normalmente têm certo receio de fazê-la, e outros com um pouco mais de experiência permanecem duvidosos de como e quando aplicar a técnica. Por esse motivo abordarei essa matéria de uma maneira mais ampla a fim de auxiliar aqueles que desejam aprender a como e quando aplicar a desfolha.
Existe uma série de motivos para se aplicar a desfolha em um bonsai, por isso falarei de cada um deles separadamente para que fique claro o motivo real de se aplicá-lo. Entretanto acho necessário que antes de abordar a desfolha em si, é preciso entender como as folhas funcionam e o seu papel na planta.  


COMO AS FOLHAS FUNCIONAM.


As folhas são as fabricas de alimento das plantas. Se formos comparar uma planta a uma casa, as folhas seriam a cozinha de nossa casa e a terra seria os supermercados onde as raízes fazem as compras dos elementos necessárias para que as folhas produzam o alimento. O nosso fogão produz energia suficiente para fazer alimentos saborosos para nossa família. O sol é o fogão das plantas, portanto o sol é a fonte primária de energia das plantas. As plantas absorvem através de suas raízes água do solo junto com sais minerais dissolvidos, chamamos o resultado desse processo de seiva bruta. Seiva bruta é o que sobe pelo xilema desde a raiz até as partes mais altas que são as folhas, quando elas estão em plenas condições de vida, tornam-se capaz de produzir alimento para todo o resto da planta. Lembra-se que eu disse que as folhas são a cozinha de nossa casa, pois é nas folhas que a seiva bruta é transformada em seiva elaborada, ou seja: alimento. Como isso ocorre? As folhas possuem células denominadas fotossintetizadoras, que contém clorofila e são muito sensíveis à luz. Quando a luz incide em uma molécula de clorofila, esta absorve parte da energia luminosa que permite a reação do gás carbônico com seiva bruta, produzindo carboidratos e liberando oxigênio. A absorção da energia luminosa e sua transformação em energia química produzem seiva elaborada e permite o crescimento das plantas, seu florescimento e a produção de frutos. Com o tempo a morte celular desta folha irá fazê-la cair, seja por velhice ou pela fabricação de um hormônio chamado ácido abscísico, este ultimo acumula-se na base do pecíolo que provoca a sua morte e posteriormente a queda.      

Resumindo: As folhas são as indústrias de fabricação de alimento para as plantas.

Agora que sabemos como as folhas funcionam faremos uso deste conhecimento ao abordarmos as seguintes questões:

Em que situação poderá aplicar a desfolha?

1-    Quando temos uma folhagem com aparência ruim e queremos trocar a folhagem danificada da árvore por uma nova.

      - Quando por algum motivo a folhagem da árvore torna danificada e com um aspecto feio. Ex: quando as folhas sofreram queimaduras provocadas por intensa exposição aos raios do sol; As folhas foram atacadas por insetos que as comeram deixando-as recortadas. Neste caso retiramos todas as folhas da árvore para que brote uma nova folhagem melhorando a sua estética. Que tipo de árvore se pode aplicar essa técnica?  Neste caso só deveremos aplicar essa técnica nas árvores que não perdem as suas folhas no outono. Essas árvores são chamadas de árvores perenes. Pois as que perdem as folhas renovarão suas folhas no início da primavera.


2-    Quando queremos estimular um crescimento específico em alguma parte da planta

    - Através da desfolha vamos conseguir estimular o crescimento específico de alguma parte da planta, seja com o objetivo de engrossar um tronco, forçar o crescimento de um ramo novo ou por que um dos ramos do seu bonsai está ficando enfraquecido e com fraco crescimento. A ação da desfolha nas partes mais fortes impede o seu crescimento. Quando aplicaremos? Sempre que observarmos que um ramo, já algum tempo, não está se desenvolvendo como o todo da árvore, ou sempre que observamos que alguns pequenos ramos importantes estão secando sem aparente motivo, ou quando precisamos que um pequeno ramo ganhe massa foliar, comprimento ou grossura. Fazemos uma desfolha em toda a planta exceto no ramo que desejamos fortalecer. Ao fazermos isso equilibramos o desenvolvimento da planta. Se quisermos engrossar um ramo, o deixamos intacto, assim ele continuará a se desenvolver e conseqüentemente ganhará grossura. Que tipo de árvore poderá aplicar a técnica? Em árvores perenes e caducifólias. A técnica para coníferas será abordada em outra matéria. Quando aplicar essa técnica? Início da primavera para as perenes e verão para as caducifólias. Meu conselho é que evite fazê-lo no inverno a menos que toda árvore esteja muito saudável e o inverno em sua região não seja rigoroso.

3-    - Quando é necessário reduzir o tamanho das folhas da árvore

     - Uma questão importante muitas vezes deixada de lado pelos principiantes na arte é a questão da perspectiva. Esta faz com que seja quase uma obrigação diminuir o tamanho das folhas a fim de tornar mais realística à árvore, por exemplo: uma jabuticabeira adulta possui no tronco junto ao solo um tamanho muitas vezes maior que o tamanho de suas folhas, quando trabalhamos com bonsai essa perspectiva precisa ser mantida ou mantida bem próxima, para que a árvore ganhe dramaticidade, ou seja, uma jabuticabeira com 40 cm de altura não deveria possuir folhas que sejam do mesmo tamanho do seu tronco logo acima do solo, por que isso não seria atraente para os nossos olhos, nem mesmo aos olhos daqueles que nada entendem de bonsai. Assim para que nossa árvore cause maior impacto nos espectadores é preciso diminuir o tamanho de suas folhas. Quando aplicaremos essa desfolha? É comum que se faça isso no meio do verão quando o calor mais intenso diminui de forma natural a força de crescimento primaveril da árvore, essa diminuição da força de crescimento aliado ao fato de a desfolha provocar um aumento de toda a massa foliar (nascimento de um número maior de novas folhas) fará as folhas nascerem menor. É fácil entendermos o porquê isso ocorre e por que o verão é a melhor época para se fazer essa desfolha. Lembrando que as folhas são as fabricas de alimento das plantas e que a seiva elaborada produzida nas folhas provoca o seu crescimento. É fácil compreendermos todo processo. Ao retirarmos todas as folhas de uma árvore diminuímos ainda mais a quantidade disponível de alimento no interior dos troncos, o calor do verão e o solo mais seco fazem as raízes diminuírem a captação de água e sais minerais o que provoca uma diminuição natural do crescimento da planta pela diminuição de seiva bruta circulando dentro da árvore. Assim no verão temos as condições propícias para a diminuição das folhas. No verão a árvore ainda esta cheia de energia primaveril e essa energia continuará latente nos ramos quando retirarmos todas as suas folhas. Sem as suas folhas essa energia será usada para ativar a criação de hormônios que provocarão a brotação das gemas que estavam adormecidas, ou seja: uma nova brotação intensa será iniciada, porém não haverá muito alimento para distribuir por todas as folhas que estão crescendo o que tornará o tamanho de cada uma delas menor, porém todas estarão muito saudáveis. Segundo alguns bonsaístas essa técnica se aplicada corretamente por alguns anos seguidos é capaz de diminuir o tamanho das folhas em até 20 vezes. Um lembrete a todos: para que isso ocorra é imprescindível que tenhamos deixado de adubar a nossa árvore no mês anterior da aplicação da técnica e que a última adubação anterior a desfolha tenha tido nenhum ou pouco Nitrogênio, também devemos fazer uma leve diminuição ou um melhor controle das regas, caso contrário, correremos o risco de as folhas novas nascerem com grande vigor alcançando rapidamente o tamanho das folhas retirado por nós. Retomaremos a adubação normal após as novas folhas amadurecerem completamente. Algumas árvores continuarão com o seu crescimento normal após a desfolha, em alguns casos as folhas nas extensões dos ramos começarão a aumentar de tamanho, para que isso seja retardado ou anulado, faça uma poda de refinamento após o quarto ou quinto par de folhas trem surgido deixando apenas um ou dois pares, no caso dos Acer retire o último par de folhas juntamente com o broto terminal de cada ramo, cortando as folhas mais deixando seus pecíolos isso retardará o crescimento dos ramos mantendo a folhagem diminuta por mais tempo.

4-    Quando pretendemos aumentar a quantidade de galhos na árvore

    - Certamente você já deve ter se admirado ao ver um belo exemplar no estilo Hokidachi (vassoura) com uma maravilhosa massa de finos ramos em toda periferia e deve ter se perguntado como aquele bonsaísta conseguiu criar aquele efeito? O resultado é obtido através de uma intensa rotina de desfolhas e pinssagens. Por que isso ocorre? Quando retiramos as folhas da árvore provocamos nela a produção de Hormônios vegetais que provocarão um novo crescimento na planta. Esses Hormônios vegetais são compostos orgânicos e não nutrientes e são produzidos pelas plantas em um local diferente daquele onde será usado. As citocininas, são hormônios localizados nas raízes das plantas e quando transportados para os brotos, estimulam a divisão celular, regulando o crescimento exagerado do vegetal e atuando como retardador do envelhecimento. Outro hormônio vegetal é a Auxina, ela é responsável pela dominância apical nas plantas, fenômeno através do qual as gemas laterais ao longo do ramo permanecem adormecidas ou crescem bem menos, isso ocorre, porque elas são dominadas pela presença de um broto na extremidade do ramo. Com base nestas informações determinamos que quando queremos aumentar a quantidade de galhos em uma árvore retiraremos as folhas e podaremos a ponta do ramo para que as gemas laterais sejam estimuladas a crescerem. Ai entra outro ponto ao nosso favor, se lembrarmos que no verão há uma menor quantidade de alimento circulando na árvore e que na desfolha retiramos a cozinha da árvore, e parte da energia armazenada será transformada em hormônios, fica fácil perceber que quanto maior a quantidades de ramos desenvolvidos, menor será o tamanho das folhas, pois a quantia de alimento distribuído no interior da árvore chegará às zonas de crescimento em menor quantidade. Pode-se aplicar essa técnica a quase todas as árvores exceto as coníferas que possuem uma dominância apical diferente e as azaléias que respondem muito bem as pinssagens, mas não possuem uma dominância apical predominante – Uma boa rotina de pinssagem nas azaléias já provocará de forma natural um aumento de ramos e uma diminuição no tamanho de suas folhas.


5-    Quando queremos que a coloração de nossas árvores caducifólias fique acentuada no inverno

      - Com a chegada do outono e a aproximação do inverno as árvores caducifólias começam a soltar as suas folhas. Isso ocorre por vários fatores que atuam juntos nesta época, uma delas é a produção de um Hormônio chamado ácido abscísico. Este ácido acumula-se na base do pecíolo o que provoca a sua morte e posteriormente a queda da folha. Isso é um fenômeno natural. Porém quando fazemos uma desfolha no meio do verão ativamos hormônios que provocarão uma nova brotação um desses hormônios são as citocininas. Esses hormônios como já citamos no início desta matéria, retardam o envelhecimento das folhas impedindo que outro hormônio o ácido abscísico se acumule rapidamente no pecíolo da folha permitindo assim, que as folhas se mantenham por mais tempo na árvore. Deste modo á medida que o Verão vai cedendo o lugar ao Outono, cada árvore começa a preparar-se para o Inverno. Vamos entender o que ocorre no interior da árvore neste período: Os nutrientes vão saindo lentamente das folhas para os ramos da árvore, tronco e raízes, onde são armazenados e protegidos de forma segura do severo frio que se seguirá. Quando chega a Primavera, a árvore serve-se desses nutrientes armazenados para formar suas novas folhas. À medida que os nutrientes são armazenados em um lugar longe das folhas, estas param de fabricar clorofila. Esta é uma reação natural. Com o passar dos dias a clorofila que ainda existente nas folhas vai-se desintegrando gradualmente, ou seja, a cor verde vai se perdendo, o que permite a outros pigmentos fazerem-se notar. Assim chegamos ao seguinte fato: quando desfolhamos uma árvore caducifólia no verão estamos ajudando as suas folhas a permanecerem por mais tempo na árvore por inibir o acumulo do ácido abscísico que provocaria a sua queda, a permanência da folha na árvore por sua vez provocara um acumulo de açúcares e a diminuição da clorofila que culminará no aparecimento das cores. Ficou claro?

6-    Refinar a árvore no verão usando o arame

      – Esse é um método usado por bonsaístas experientes quando querem refinar a estrutura de sua árvore. Qual o benefício? Quando todos os ramos estão sem folhas vemos melhor toda a sua estrutura e identificamos o que precisa ser corrigido. Fica também muito melhor de se trabalhar o arame sem que danifiquemos as folhas e as gemas passando o arame sobre elas. Além disso, como a desfolha reduz o crescimento da árvore poderemos deixar o arame por mais tempo nos ramos sem o perigo de o tronco engrossar rapidamente deixando marcas em sua casca. Toda a árvore que for desfolhada no verão poderá receber arame.

7-    Para permitir a entrada de luz no interior da árvore 

      – Quando a árvore encontra-se muito compacta a retirada de algumas folhas de tamanho grande poderá deixar a árvore mais leve e o seu interior mais arejado evitando assim o aparecimento de fungos e parasitas, uma desfolha tornaria a árvore mais saudável. Uma ramagem mais leve muitas vezes ajuda a melhorar a perspectiva destacando a sua estrutura por definir melhor as áreas negativas (vazias). Valoriza seu movimento e melhora a sua velocidade visual, em suma, esse tipo de poda esta diretamente relacionada ao perfeito equilíbrio da planta. 

Notas finais


Quero deixar bem esclarecido que a aplicação de qualquer uma das técnicas a cima descrita deverá ser efetuada em Árvores já formada, saudáveis que suportem o estresse causado pela nossa ação e que caberá o Bonsaísta, antes de tudo respeitar a integridade de cada árvore. Recém Yamadori e árvores debilitadas nunca deverão ser desfolhadas sobre pena de enfraquecermos ainda mais a planta ou mesmo perde-la. Meu conselho é: recupere a primeiro a árvore antes de efetuar qualquer das ações descrita à cima mesmo que isso leve alguns anos. Lembre-se que a Pressa esta ligada no coração do principiante e seus frutos são ruins e demorados.

Não sou a favor de se marcar no calendário uma data anual específica para efetuar a desfolha em uma espécie ou em todas. Não devemos efetuar a técnica só porque este final de semana nós estaremos de folga, ou por que queremos aproveitar aquele feriado ou aquele evento para trabalharmos todas as nossas árvores ou por que algum livro diz que deveremos efetuá-la em um mês especifico, e mesmo quando algum amigo bonsaísta afirma que faz a desfolha daquela espécie em certa época do ano com excelentes resultados, será sensato analisarmos outros fatores como o clima da região onde foi efetuada a desfolha, temperatura média e mesmo se a árvore pertence ao Bioma daquela região ou se pertence a um Bioma diferente. Cada árvore terá o seu tempo certo para se aplicar cada uma das técnicas acima descritas, e ainda dentro de uma mesma espécie poderemos ter variações deste momento, pois algumas plantas tenderão a brotar primeiro que outras ou crescerão mais rápido que outras. Isso pode ser observado facilmente em uma mata ou mesmo em uma alameda com árvores de uma mesma espécie nas ruas de sua cidade. É o calendário biológico de cada planta que deverá nos guiar nesta ação se quisermos ser bem sucedidos. Quando compreendemos todo o ciclo vegetativo de cada espécie torna-se mais fácil realizarmos a desfolha mesmo sem olharmos para o calendário secular. Como identificar esse momento? É fácil! Devemos observar se as folhas já estão amadurecidas e alcançou todo o tamanho natural de seu desenvolvimento, isso pode ser notado até mesmo na mudança de cor de um verde mais claro para um mais escuro; se os ramos já se desenvolveram o suficiente e estão amadurecidos, se estão, é hora de aplicarmos a técnica. Existe um modo melhor de sabermos quando aplicar a desfolha? Posso afirmar que na maioria dos casos SIM! O tempo correto é no descanso de crescimento entre um ciclo e outro. Num ciclo normal a planta cresce por um período e depois para de crescer, e torna novamente a crescer, é nesta pausa que aplicaremos a técnica. O momento escolhido poderá ser aquele onde observamos um aumento no tamanho das gemas. Com um pouco mais de experiência poderemos identificar este momento na maioria das espécies.
Um ponto importante que quero deixar mencionado é com respeito ás regas a serem efetuadas após a desfolha. As folhas liberam água na atmosfera em grande quantidade, esta água é retirada do solo pelas raízes, Com a diminuição da massa foliar há também uma diminuição da demande de água por parte da planta, se mantivermos a rega da mesma maneira como fazíamos anteriormente poderemos por em risco saúde de nossas árvores, por que o solo estará constantemente encharcado abrindo uma porta para o aparecimento de doenças ou mesmo ocasionando a morte de algumas raízes por afogamento. A diminuição da quantidade de água disponível no solo por volta do início da brotação será benéfica causando uma diminuição do tamanho das folhas, o excesso de água poderá ter um efeito contrário.

Um segundo ponto a mencionar conhecido por todos e às vezes deixado de lado é o fato de que o sol é um redutor por natureza. Uma planta que se desenvolve a pleno sol possui folhas menores, mais firmes e normalmente mais verdes e entre nós muito mais curtos que aquelas que se desenvolvem em locais sombreados, portanto após a desfolha é importante colocarmos a nossa árvore em um local ensolarado, faremos Igualmente a uma planta mais delicada, apenas deveremos protegê-la do sol mais intenso das horas de sol a pino e dos ventos fortes.

Um terceiro ponto de grande importância é: Como se deve proceder a desfolha?
Em algumas espécies não é necessário se fazer desfolhas, pois o tamanho diminuto de suas folhas nos daria um trabalho desnecessário, outras espécies não toleram muito bem a aplicação destas técnicas, como é o caso do Ficus benjamina, uma desfolha total nesta espécie poderia levar alguns dos seus galhos à morte, deixar apenas uma ou duas folhas em cada ramo junto à base resolverá o problema. Quando as novas folhas começarem a se desenvolver o ramo poderá ser reduzido.

Algumas espécies poderão ter as suas folhas arrancadas por simplesmente a puxarmos para fora do ramo, outras como as folhas dos Acer palmatum, deverão ter sua folhas cortada com uma tesoura afiada deixando todo o pecíolo, faz-se isso por dois motivos: 1° A retirada da folha por puxarmos para fora, arrancará também a gema lateral na base que sairá presa ao pecíolo ou danificara a gema ainda presa ao tronco, nos dois casos puxar as folhas prejudicará nosso trabalho por não ser benéfico para a árvore.  2° O pecíolo deixado na planta tem uma reserva de energia que será usada pela gema para desenvolver um novo ramo após isso ele cairá.

Uma forma de sabermos se devemos puxar ou cortar é fazermos um teste puxando algumas folhas no sentido da ponta do galho e observando se junto a ela veio parte do tronco ou mesmo uma pequenina gema ou o estado que elas ficaram no tronco. Na grande maioria dos casos como nas mirtáceas passarmos a mão da base para a ponta do galho puxando levemente as folhas e elas sairão facilmente.
Em alguns casos quando a planta tem uma forte dominância apical, é convenente desfolharmos primeiro os ramos inferiores da planta e após 15 ou 20 dias desfolharam a parte superior. Isso fará com que a parte inferior desfolhada primeiro tenha tempo de desenvolver as suas folhas. Caso toda árvore seja desfolhada por igual os ramos inferiores poderão perder parte do vigor ou mesmo ter uma brotação aquém do esperado, pois a força apical estará voltada para a parte superior da planta. A Duranta é um bom exemplo disso.

Espero ter conseguido esclarecer algumas dúvidas que são muito comuns aos que iniciam na arte do Bonsai. Meu ultimo conselho é para que se façam anotações de suas experienciais e com base nos seus erros e acertos progridam nesta arte maravilhosa e apaixonante que é o Bonsai.

°° Eduardo Guedes  



Desfolha para plantio - 2010.
Resultado da desfolha 2010

Aprimoramento da copa - Outubro 2011

Click nas fotos para  amplia-las



















31 julho 2011

Técnica de Toriki


Técnica de Toriki – Alporquia e Segmentação.

Apesar de estas técnicas serem consideradas distintas, elas bem poderiam ser consideradas como uma só técnica, pois ambas consistem em induzir um determinado ramo a desenvolver raízes enquanto ainda é parte da árvore. Das duas técnicas a Alporquia é a mais utilizada por bonsaítas por dá um bonsai em um curto período de tempo.

Após o aprendizado a técnica se tornará tão fascinante, que você se pegará por vezes olhando para ás árvores imaginando qual seria o melhor lugar para se fazer um Alporque visando ter um belo bonsai. Principalmente para aquelas árvores que você sempre teve vontade de ter e nunca encontrou uma muda que pudesse ser transformada em Bonsai.

Apesar de ser uma excelente técnica de propagação ela tem seus limites. Troncos muito Grossos, velhos ou mesmo algumas espécies não desenvolverão raízes ou demorarão demasiado muito para que se espere.

Algumas vantagens que a Alporquia nos oferece:

- Obter material de boa qualidade e boa grossura de tronco.
- Aproveitar partes de ótima qualidade que será eliminada de um bonsai.
- Corrigir quando o primeiro galho esta localizado alto de mais comprometendo o tashiagari.
- Obtenção de clones idênticos a matriz.

A Alporquia é uma técnica usada em grande escala por cultivadores comerciais de bonsai no Japão, nos Estados Unidos e na Europa, esses dois últimos, em menores proporções devido à rápida exaustão das matrizes.
Essa é uma técnica que tem origem na china antes da era TANG a cerca de 1500 anos.

Por que se fazer Alporquia?

- É possível aproveitar uma árvore que tenha excelentes características, mais que tenha um tronco    muito alto. A Alporquia feita na altura certa eliminaria esse problema.
- O ramo escolhido para a Alporquia pode ser trabalhado enquanto ainda faz parte da planta mãe. Com isso o tempo para a obtenção de um belo bonsai será encurtado.
- Espécies difíceis de multiplicar por estacas poderão ser multiplicada com essa técnica.
- Espécies difíceis de encontrar a venda em viveiros comerciais poderão ser multiplicadas.
- Esconder defeitos graves no tronco. Ex: Árvores com o enxerto feito muito alto no tronco poderá  ser forçada a emitir raízes logo abaixo do ponto do enxerto, fazendo com que a cicatriz do mesmo fique abaixo ou rente ao solo.
- Para melhorar a aparência do nebari.
- Para corrigir erros graves no sistema de raízes que de outra forma impediriam a árvore de ser transformada em um belo bonsai.
- Formar bonsai em um curto espaço de tempo.
- Obter mais de um Bonsai de um mesmo ramo.
- Obter uma muda com uma notável espessura de tronco.
- Na formação de árvores de Troncos Múltiplos e mudas de excelente qualidade e diferente espessura para a formação de Florestas.

Como executar a Técnica.

Deixe de molho por algumas horas em uma solução contendo algum tipo de hormônio enraízador (ácido indolbutírico) ou vitamina B, esfragno (musgo) suficiente para envolver todo o local escolhido para se fazer a Alporquia.
















Com um canivete afiado retire cerca de 3 ou 5 cm de casca do ramo logo abaixo do ponto escolhido para ser à base do bonsai (anel de Malpighi). 



As raízes serão emitidas na parte superior deste corte. Portanto esse corte deve ser imediatamente abaixo de um nó (local onde houve uma folha) neste lugar há uma maior concentração de AIA* (ácido-indol-acético), ácido responsável pelo desenvolvimento das novas raízes. Apanhe o musgo e esprema-o para que elimine um pouco de água, envolva toda a área descascada com ele. 














Cubra todo o local com um plástico transparente, filme de PVC e excelente para isso. Amarre as extremidades caso use plástico comum. Tome o cuidado de não deixar que o musgo fique muito Souto, caso note que isso ocorreu envolva a massa formada com algumas voltas de barbante para que fique firme.

- A massa formada com musgo deverá ter o dobro da espessura do ramo antes que este tenha sido descascado.

- Cubra toda massa envolta com o filme de PVC, com um plástico preto. Motivo: A luz impede o desenvolvimento das raízes. Também será responsável por aquecer toda a massa o que ajuda na formação das novas raízes. Este plástico deve ser amarado separadamente para que de vez em quando o retiremos para ver se já temos um bom desenvolvimento de raízes.

Quando notar o surgimento das primeiras raízes faça alguns furos no filme para que o ar circule mais facilmente pelo musgo, isso ajudará as raízes se desenvolverem mais rapidamente.

Alguns costumam deixar a parte superior do Alporque aberto para colher a água das chuvas e regas mais esse método Dara maior trabalho em evitar que o musgo seque.

Alguns Bonsaítas colocam vasos de PVC preso no ramo logo abaixo do Alporque e preenche este com areia grossa ou mesmo musgo, ambos dão bons resultados, porém exige do Bonsaísta uma maior vigilância sobre o Alporque, caso o musgo seque completamente as raízes se perderão.

*AIA - Ácido-indol-acético é a mais comum das auxinas, os mais importantes fitormônios existentes nas plantas. O AIA é uma substancia foto destrutível. Isso significa que a presença de luz inibirá o aparecimento das raízes, caso alguma parte da massa de musgo tome luz poderá provocar uma má formação na distribuição das raízes, conseguintemente teremos uma muda de qualidade inferior com um número muito grande de raízes voltadas para um só lado.

Os cuidados posteriores são simples, nada além de injetar água ou uma solução com vitamina B1 com uma seringa, toda vez que verificarmos que o musgo esteja quase seco.

Xaropes de complexo B costumam atrair formigas para nossa Alporquia, por isso recomendo o uso de comprimidos de Benerva 300mg do laboratório Bayer - cloridrato de tiamina - Á proporção que utilizo são dois comprimidos para 1,5 l água. Amasse bem os comprimidos até que virem pó depois passe no liquidificador com um pouco de água até dissolver acrescente a o restante da água. Algumas pequenas partículas ainda ficaram sem dissolver é normal é a película protetora dos comprimidos - coe para não entupir a agulha da seringa. Guarde em lugar fora do alcance da luz. Outro produto que produz excelente resultado é o SUPERthrive.

Esse método poderá ser usado para todas as espécies que produzem raízes rapidamente, para as espécies que requerem um maior tempo e melhor usar outro método.

Método de torniquete.

Espécies como as coníferas não aceitam bem o método de Alporquia descrito acima. Para elas o método de torniquete que não rompe completamente o fluxo da seiva é empregado com maior sucesso.

Não são poucas as espécies que devemos aplicar esse método. As coníferas exceto os Juníperos só devem ser Alporquizadas dessa forma.

No caso das coníferas levara de seis meses até dois anos para que se possa separar o Alporque da planta mãe. Talvez por esse motivo não seja muito divulgado esse método. Muitas pessoas que já estão cultivando bonsai há algum tempo desconhecem que o Pinheiro Negro japonês pode ser multiplicado dessa forma.

Como Fazer.

O método de torniquete é bem mais simples que o método anterior. Pegue um fio de alumínio de 2,5 mm ou 3 mm de espessura e passe ao redor do tronco cerca de 2,5 cm abaixo do local escolhido para emitir as raízes e que no futuro será à base da planta. Com a torquês na mão torça as duas pontas do arame apertando fortemente o fio na casca da árvore até que o mesmo afunde até a metade de sua espessura formando assim um torniquete.

A partir deste ponto repita todo o processo acima descrito.

Plantio do Ramo Alporquizado.

Algumas pessoas não sabem quando retirar o Alporque e tem medo de que por alguma falha possa perder o trabalho, principalmente se o ramo escolhido for parte de uma árvore muito estimada ou tiver um ótimo potencial para se tornar um bonsai.

Alguns costumam seccionar o galho em duas etapas. Primeiro serra-s o galho até a metade e cerca de um mês depois se corta o galho por inteiro. Alegam que neste período é possível observar se o galho já consegue manter-se com as raízes que possui. Também esse tempo serve para que ele desenvolva uma maior massa de raízes finas para suprir a falta de alimento que o corte proporcionou. Eu não utilizo as duas etapas acima citada, desde que eu possa observar o desenvolvimento das raízes, saberei se há uma boa quantidade delas, deste modo não há necessidade de executar o método de separação, pois saberei se a quantidade de raízes emitida será capaz de manter toda planta viva.

Devesse cortar o galho logo abaixo do local onde houve a emissão de raízes. No caso de ter se usado o método de torniquete, devesse cortar logo acima do fio ou no mesmo local onde o fio foi posto.

Afaste com muito cuidado o musgo para que se possa cortar o galho no local logo abaixo do ponto de emissão das raízes. Use um alicate bola para efetuar melhor essa tarefa. Trate a parte cortada com alguma pasta selante para que esta não apodreça, pois em alguns casos isso poderá estender-se para cima e vir a matar a sua planta em longo prazo.

Plante a muda em uma bacia ou um vaso com uma mistura de solo poroso, próprio para bonsai. Tome o cuidado de amarar a planta para que esta fique firme, isso poderá ser feito usando fios de barbante presos ao lado da bacia. Na hora de efetuar o plantio tome cuidado para não perturbar o musgo a fim de preservar o bom estado das raízes. Comesse a adubação cerca de 40 a 50 dias após o plantio e com adubo pouco concentrado. A muda deverá permanecer por cerca de dois anos neste pote até que seja retirada para a primeira poda de raízes. Neste período poderá ser educada através de poda. Aconselho esperar seis meses para dar início a este trabalho. Alguns Bonsaístas costumam levantar o alporque do vaso antes deste período para observar e corrigir o desenvolvimento das raízes.

Algumas espécies de crescimento acelerado poderão ser plantadas diretamente em um vaso de bonsai e receber sua primeira poda de raízes no primeiro ano como é o caso do fícus. Após um ano em um vaso relativamente pequeno é bem provável que já tenhamos uma bola densa de raízes.
Quando a muda ainda não possui a grossura de tronco que desejamos é preciso que se retarde o plantio no vaso para que o tronco possa ter tempo de engrossar. Plantar a muda diretamente no chão junto com uma boa rotina de rega e adubação produzirá ótimo resultado. Um vaso grande dará um bom resultado apenas levará mais tempo. Lembre-se: nada se compara ao plantio direto no chão.

Não se preocupe com a estética do vaso. Use uma caixa de madeira ou bacias plásticas largas e baixas, lembre-se que a planta não está ali para ser admirada mais para se fortalecer e ser trabalhada até que possa ser levada para um lindo vaso que valorizará todo o seu trabalho.  Nesta hora você verá que valeu apena todo o tempo gasto.

23 junho 2011

Desenho em Nankin.

Como foi que saiu tão bom...

Estava um pouco entediado e resolvi desenhar esta árvore. Já fazia algum tempo que eu estava para desenha-la. Ela pertence a dois amigos meu, Alenka e Vladimír Ondejcikovì do Bonsai Slovakia,


Para minha surpresa terminei o desenho em 20 minutos e estava ainda com vontade de desenhar, então peguei outra folha e depois de alguns riscos e rabiscos lá estava ele...


Gostei muito do resultado e as vezes acontece de um fluxo de inspiração chegar rapidamente de depois desaparecer me deixando com grande admiração e uma pergunta bem lé no fundo da alma - ""Como foi que saiu tão bom? ""



16 junho 2011

Técnica da mamadeira.


                              Técnica da mamadeira.


Essa é uma técnica muito usada por bonsaístas para recuperação de plantas fracas ou acelerar o desenvolvimento das suas árvores. Essa técnica proporciona um maior desenvolvimento do tronco e dos galhos, um aumento considerável da folhagem reduzindo o tempo de formação de uma simples muda em uma árvore de aspecto adulto em um tempo bem menor. 
A técnica da mamadeira tem certas vantagens sobre o plantio direto no solo, pois permite que o bonsaísta escolha o tipo de solo que deseja usar podendo ele trabalhar com dois tipos de solos ao mesmo tempo; Permite também que o bonsaísta erga a planta a altura dos olhos o que facilita muito a sua estilização e manutenção; também facilita mudar a planta de local para um canto mais sombreado no verão ou mais ensolarado no inverno ou para que ela fique protegida dos ventos o que em algumas espécies pode significar danos as suas folhas; é possível também ter um melhor domínio sobre o controle de pragas, as adubações e as regas, e sem dúvida é a maneira mais rápida de levar uma árvore diretamente  ao vaso definitivo.

Como executar

A primeira coisa a fazer é o plantio da futura árvore no escorredor plástico usado na cozinha. Esta peça possui a vantagem de ser totalmente furado desde o fundo até as laterais. É preciso usar um substrato de boa qualidade que possibilite uma boa drenagem. Isso é conseguido usando-se pedriscos ou cacos de telhas de granulação entre três a cinco mm dependendo da espécie a ser plantada. Uma boa mistura poderá ser composta por 70% grãos de três a cinco mm e 30% de matéria orgânica. Você poderá fazer uma variação desta mistura dependendo da espécie a ser plantada, por exemplo: usando mais matéria orgânica se a espécie for florífera ou se o clima de sua região for muito quente e seco. Os cuidados são os mesmos usuais a um transplante. Comece uma adubação leve cerca de 60 dias após o transplante e vá aumentando aos poucos. O escorredor provocará um aumento na massa radicular de sua planta e as raízes logo estarão saindo pelos inúmeros furos do escorredor. Você perceberá que as pequenas pontas brancas de raízes que escapam pelos furos ficarão escuras com o sol sobre elas. Não se preocupe com isso, pois faz parte do processo. É hora de prepararmos a mamadeira.



                                              Preparação da mamadeira


No momento em que as raízes de nosso futuro bonsai estiverem saindo pela parte do fundo do escorredor e nas laterais é hora de colocá-lo na mamadeira.
Escolha uma bacia plástica com o pelo menos o dobro do tamanho do escorredor e faça vários furos no fundo da mesma e em sua lateral. Você poderá usar um ferro de solda para executar esse trabalho. Quanto maior a quantidade de furos melhor. Alguns bonsaístas costumam usar como substrato para a mamadeira uma composição de 50% de areia grossa e 50% de esterco bem curtido. Outros usam apenas esterco bovino bem curtido. Mais uma vez é importante fazer uma boa escolha do composto levando em consideração a espécie que esta sendo cultivada e o clima de sua região. Por exemplo: Uma jabuticabeira terá um excelente crescimento se o substrato da bacia for apenas esterco curtido. Já um pinheiro negro poderá sofrer com o excesso de umidade.
Um erro muito comum entre os iniciantes é o de enterrar completamente o escorredor na bacia. Não se deve enterrar o escorredor, mas apenas apoiá-lo sobre o substrato na bacia. Vou explicar o motivo: quando os furos do escorredor ficam fora do solo às pequenas raízes que saem por eles são queimadas pelo sol ou secam em contato com o ar, isso provoca uma divisão natural da raiz dentro do escorredor que fica cheio de raízes capilares que manterão a árvore viva quando formos retirar a árvore da mamadeira. Alguns usam enterrar o escorredor alegando que se não o fizerem o vento tombará a árvore. Para que isso não ocorra apóie o escorredor sobre o substrato da bacia e amarre o escorredor na lateral da mesma, isso evitará o tombamento do escorredor. É importante também que a bacia seja mantida suspensa apoiada por suportes o que permitirá a entrada do ar pelos furos e uma boa drenagem.







                              Como proceder com a adubação?

É importante dizer que o tempo de permanência de nossa árvore na mamadeira dependerá dos objetivos do bonsaísta. Porém os resultados serão mais bem observados a partir do segundo e terceiro ano. Não é incomum que se mantenha esse processo por quatro, cinco ou mais anos o que exigirá de nós uma excelente rotina de adubação. É preciso lembrar que neste processo temos dois meios de cultura, ou seja, dois locais de enraizamentos distintos, um deles sendo o escorredor e o outro a bacia e ambos precisam de nossa inteira atenção. Antes de falarmos sobre a adubação, gostaria de mencionar que com o passar do tempo alguns bonsaístas, costumam utilizar-se de uma segunda bacia cheia de substrato, onde depositam a mamadeira com o objetivo de prover melhor alimentação das raízes e mais espaço para o seu desenvolvimento, seja como for, sempre será preciso tratar cada recipiente com distinção tanto na adubação quanto na rega.
Qual a necessidade de cada recipiente? O escorredor precisa receber uma atenção especial, pois nele esta as raízes que ocuparão o vaso definitivo quando retirarmos a árvore da mamadeira, portanto é importante que as raízes deste local sejam tratadas como se fosse um bonsai já estabelecido no vaso definitivo. A adubação no escorredor deverá ser mais freqüente usando um adubo um pouco mais fraco. É importante que esse substrato não fique ressecado para que as raízes capilares não venham a morrer, caso o escorredor seja negligenciado correremos o risco de que só permaneça nele raízes lignificadas que não poderão alimentar a nossa árvore e prejudicará ou até mesmo impedira de levarmos nossa árvore diretamente para o vaso definitivo.
Na bacia se encontra as raízes que se estenderam em maior número, com o tempo algumas delas se tonarão mais grossas e mais pesadas, sendo assim na bacia estará um número maior de raízes que poderão receber uma alimentação um pouco mais forte. O substrato desta bacia normalmente será mais úmida que o escorredor por se ter mais solo e normalmente mais matéria orgânica.
Fazer uma variação na utilização de adubos químicos e orgânicos é uma ótima  sugestão que poderá ser usada tanto no escorredor quanto na bacia.
 Lembrado que deveremos pelo menos uma vez a cada ano fazer uma adubação com micros nutrientes.

                                                      Cuidados

É possível e desejável que o bonsai seja trabalhado enquanto estiver na mamadeira. Podas de manutenção poderão ser efetuadas mesmo as podas para melhorar a estética, aramação e torção também poderão ser feitas. Eu aconselho fazer a desfolha somente quando toda estrutura da árvore já esteja formada e seja preciso aumentar a massa foliar e ramos periféricos. Não se deve fazer durante todo este período podas de raízes.
 
                                                           Levando para o vaso

Quando achar que a árvore já alcançou o resultado esperado, é hora de plantá-la em seu vaso definitivo. A esta altura você já deve ter em mente o tipo de vaso que deseja para a sua árvore. A escolha do vaso correto exige uma boa observação e algum conhecimento. Normalmente o vaso é feito para a árvore, de acordo com a estrutura do bonsai, portanto não tenha pressa em comprar um vaso, analise fotos de outras árvores que possuem o mesmo estilo que a sua, observando atentamente as suas formas cores e texturas. Falarei sobre vasos em outro artigo.
Retire à árvore cortando as raízes que unem o escorredor a bacia e depois retire o escorredor, faça uma poda nas raízes como se estivesse podando as raízes de um bonsai já estabelecido retirando as raízes mais grossas e deixando as mais finas, é importante que não se retire todo o substrato ao redor das raízes. Tome cuidado com correntes de ar que podem secar as raízes capilares, mantenha estas últimas úmidas. Deixe parte do antigo substrato ao plantar e complete o resto com um substrato novo. No futuro quando precisarmos reenvasar nossa árvore retiraremos esse solo que foi deixado. Regue com abundância e se desejar use algum hormônio enraízador. Mantenha a planta protegida em local bem iluminado longe do sol e dos ventos por pelo menos 20 dias e depois vá levando ela para o local onde ficará em definitivo. Comece a adubação após 30 dias.

Eduardo Guedes.

16 maio 2011

Desenhando um Bonsai Ereto Informal Moyogi com Sharimiki.

Os trabalhos do Bonsaísta Rock Jr. se destacam pelo grande cuidado estético tais como lindos nebaris e graciosos sharimiki destacando toda beleza das árvores por ele trabalhada. 
Gostaria aqui de agradecer a disponibilidade e prontidão que ele teve em permitir que essa série de desenhos de sua árvore fosse publicada nesta página. 
Obrigado Rock.

Este é o amigo Rock.
*Esta Foto foi retirada do Blog Aido Bonsai - matéria: Entrevista com Rock Jr.

Espécie: Juníperus procumbens (Jacaré) 

- Data do início do trabalho: Março de 2005
- Espessura do tronco no início do trabalho: 9cm 
- Altura da planta no início do trabalho: 62cm 
- Altura da planta no final do trabalho: 32cm
- Artista: Rock Jr.

Os materiais usado são os mesmos já descrito nos desenhos anteriores.
Vamos agora dar início ao nosso desenho.


Comece fazendo uma linha, neste caso como estamos copiando uma árvore já existente a linha deve seguir o movimento do tronco.


Marque com outras linhas onde serão desenhado os ramos...


identifique a massa de folhagem ...


comece copiando os detalhes da base da árvore como as raízes e galhos secos...


escureça os lugares onde a luz não alcança plenamente a nossa árvore. Lembrando de fazer pequenos tracejo horizontais na parte viva do tronco. Faça o inverso para a parte morta.


comece a copiar a massa de folhagem do primeiro ramo. Como se trata de uma conífera faça grupos de traços de dentro para fora em todas as direções.


Veja os detalhes...


continue fazendo a mesma coisa no outro ramo.


Note o detalhe.


Veja como desenhar os traços para fazer os ramos. Copie o restante dos ramos da árvore usando a mesma técnica.


Trabalho na faze de finalização. Observe todo desenho acentue os detalhes que achar melhor, corrija os erros



Note. Há uma pequena diferença entre a árvore original e o desenho no galho seco junto a primeira curva do tronco. Esse galho seco esta maior e com o movimento invertido.



Erro corrigido. Feito o sombreamento de todo o papel para destacar a árvore




Trabalho terminado.
adiante para a próxima foto e retorne para fazer a comparação com a árvore original.


Aguarde novas postagens.